domingo, 15 de maio de 2011

JOGO

Sou a última da fila
Nunca a bola da vez
Sou rainha morta
Do tabuleiro xadrez






INSPIRAÇÂO

Fecharam minha janela
Minha fonte secou
Minha fome de palavras enfastiou-se
Perdi minha referências no shopping
Não sou mais poeta
Dessa vez não foi por engano
Tornei-me náusea desse desejo
Cantei meus versos pra outro cantador
Morreram-se os motivos
Fechei meus olhos para o teu sorriso
E quando a chuva caiu
lavou os poemas que restaram
Apagou da esquina os meus passos
Não mais falarei deste amor

DESDÉM

Já estou mais do que convencida
da tua falta de me querer
Tudo bem!
Não te quero também

teu gozo não sacia o meu
Gozas nas entre linhas
Enquanto eu
Sou corredeira abaixo

Tua constante afirmação é pra convencer a quem?

Ti elegi o meu obscuro objeto de desejo
Só pra compor os meus versos
E para isso
Faço chover
Molho você
Só pra brotar em mim estas palavras
- Sem nexo ou complexo -
Que necessito para existir

Não te ofendas
Te uso sim
Quantas vezes me der na telha.

Alimento minha alma poética
Como parasita fosse
Desta tua indiferença

Pobre de ti que não possui musa inspiradora
Morres a cada dia
Engasgado com tuas decepções
que derramam, como ladrão

Tens o registro enferrujado
Emperrado pela razão.

Gozo a expectativa de te ver todos os dias
Com essa carinha de índio
Sem tupã
Que perdeu o 19 de abril

E,quando te vejo
Acende em mim esse desejo
De amar e não querer você
Aí então
Eu escrevo
Eu escrevo
Eu escrevo...
já estou mais do que convencida da tua falta de me querer
Tudo bem!
Não te quero também


SOU

Eu sou o vento
Eu sou a brisa
Eu sou o norte
Lua, nua
Sou mulher
Sou a sem sorte.



A MENINA DANÇA

Dança menina feia desbotada na parede
Canta a infância roubada:
Do you one dance?
Qual mariposa embriagada pela luz
Espatifa-se na vidraça
Não encontra eco:
"Do you love me?"
Encontra egos distorcidos de luxúria
Não chove
E o sexo confunde-se com o Rock
Rasgaram-lhe a bandeira vermelha
“Só a infância presente existe!"
Dança, canta, rodopia:
Sua infância presente
Roubada
Espatifada
Distorcida
Sonhou num dia de chuva ser princesa
Ousou beijar o vento
Perdeu-se na tempestade
Acordou tarde demais



CONFISSÃO

Sala, madrugada fria, onde as falas se perdem
Na noite quase perfeita da imaginação
Trêmulo corpo sob o branco pijama
Denúncia de um querer
Formas elásticas de coxas e de seios
Trazem a certeza do impossível resgate
Janela estendida no céu
Desnudada pelo vento do silêncio
Serena à noite o orvalho que a desperta
Quisera, por uma noite, ser Ceci
Para amanhecer
Nos braços do poeta


NO GUETO

No gueto da solidão alimenta-se de migalhas
Que não são pra ela
Tola, tosca, destruída pelo tempo
A espera do que não é seu
Revira o lixo deixado pelas damas da noite
Procurando algo de bom
Odor de gozo exala das vilas, ruelas
Ao som de um blues
E o cão vagabundo, devasso, saciado
Não enxerga a onça pintada
"E era um cão vagabundo e uma onça pintada"
Que não se amaram na praça
Perderam-se nos seus mundos
Submundos.



PRESERVAÇÃO

Guardei-me de te querer
Te tocar, te sentir
Não só por covardia
Foi numa tentativa insana
De preservar
O que há de bom em ti
Não recebi o bilhete azul
Quando vim ao mundo
Tenho sorte no jogo
Azar o meu
Ficarei a contar dias e luas
Os amigos me trarão notícias tuas
E..., guardada de ti
Continuarei minha existência
Onde as humanidades
São deixadas do lado de fora

Nenhum comentário: