domingo, 15 de maio de 2011


DIA/NDIA/NOITE

Luzes densas que caem como gotas de sangue
Sobre a alma corroída...
É dia

Estrelas que cortam o brilho cego do olhar distante...
É noite

Caminho ermo de sensações nunca sentidas
Onde sons de buzinas passam mudos na calçada...
É dia

Trancar de portas, cerram-se as cortinas
Sobre os rostos mortos descarnados...
É noite

Cheiro ácido, caustico, do cigarro na xícara de café
Pela vidraça a sujeira dos espermas que não foram recolhidos...
É dia

Resto de sopa na tigela da mosca
Trilha sonora da vida fora do ar...
É noite.

O Outeiro sem glória toca os sinos
Mendigos banham-se em paris...
É dia

A prata da lua que mata
Revela a cobiça do louco...
É noite

E os fantasmas do passado tão presentes
Nos engolem, nos degolam, nos devoram dia e noite


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